






"Dois elementos básicos
nos levaram à escolha desta peça para a presente encenação
- sua perfeita composição dramática e o fato de William
Gibson ter retratado de maneira fiel e verdadeira todos os acontecimentos
ocorridos no primeiro mês em que Anne Sullivan se encontrou com Helen
Keller. Cena por cena, a peça põe o espectador em contato com
dos fatos reais ocorridos na mansão dos Keller, onde Anne conseguiu
seu milagre".
Partindo desse contexto histórico, não procurando interpretá-lo,
mas sim, colocar com a maior realidade seus conflitos, Gibson deu-nos uma
peça biográfica, altamente vigorosa e emocionante. Dos conflitos
Annie-Helen e Annie-família Keller ou seja, de um lado o selvagem e
embrutecido caráter da menina, apoiado pelo conservadorismo familiar,
e de outro a total mudança do "modus-vevendi" de Helem por
parte da professora, nascem os pontos básicos da encenação
e a força dramática do texto.
Força dramática, que é apoiada na realidade da vida,
pois os personagens não são fictícios, eles existiram
e viveram o conflito que a peça mostra, o conflito de uma família
que possui uma criança cega, surda e muda, um pequeno animal selvagem,
e que procura um método para discipliná-la, método que
surge através da vontade férrea e da decisão de uma professora.
É isso que procuram demonstrar esse espetáculo e este texto:
a luta do ser humano para vencer o destino, a vontade de alcançar através
da educação o fim desejado e o resultado dessa luta árdua
mas positiva.
Não se trata, pois, de ficção, mas realidade, fatos verídicos
cujo relato só poderá ser útil ao ser humano embora ainda,
existam pessoas que tenham medo ou vergonha de os encarar"
Este texto faz parte do programa da peça e foi escrito por ocasião
do lançamento, pelo SESI, de São Paulo, e que se adaptou, perfeitamente,
às intenções de TAP, razão do sua publicação.
A grande mensagem, entretanto,
que nos deixa este espetáculo é sabermos que tudo isso se passou
e que as personagens desse drama deram um exemplo de amor e inteligência
fazendo com que Anne Sullivan, que morreu em 1936, , conseguisse deixar atrás
de si uma extraordinária lição de tenacidade na luta
pelos valores maiores do homem. Sua façanha ficou nos Estados Unidos
como o padrão da obstinação da mulher americana.
Helen Keller depois de haver aprendido com Annie Sullivan a identificar as
coisas, aprendeu a ler o alfabeto Brailer para cegos e até a falar.
Fez seus estudos superiores e diplomou-se "com louvor" na Universidade
Radcliffe, em Cambridge, no Massachussetts. Trabalhou para a UNESCO, na unificação
dos vários sistemas Braille, batalhou incansavelmente a favor dos cegos,
surdos e crianças desamparadas de todo o mundo, viajou por inúmeros
países, recebendo as mais altas condecorações, como a
Legião da França, adulada pelos reis e por todos os governantes
da terra. Escreveu diversos livros, traduzidos em todas as línguas,
onde narra não só sua luta contra o destino, como sua atividade
educadora. Ao perder sua professora Helen Keller tomou como secretária
Polly Thompson, que Annie havia escolhido para substituí-la. Depois
de percorrer diversos países, recolheu-se à sua residência
em Connecticut, mantendo intensa correspondência com o mundo inteiro.
Faleceu no dia 31 de maio de 1968, "deixando para o mundo o exemplo do
que o ser humano consegue alcançar quando luta com dedicação
e afinco para ultrapassar os piores obstáculos. Helen Keller é
considerada , hoje em dia, um síombalo por muitos que sofrem de alguma
enfermidade." Sobre ela escreveu Douglas Schneider: " As palavras
são impotente para pintar a grandeza d´alma de uma Helen Keller,
vitoriosa do destino, recusando sempre a derrota e afirmando o triunfo do
homem dobre a matéria".
ELENCO:
| Reinaldo de Oliveira | Médico |
| Diná de Oliveira | Kate Keller |
| Otavio da Rosa Borges | Capitão Keller |
| Vicentina Freitas do Amaral | Viney |
| Maria Matoso | Helen |
| Maria Helena Silva | Marta |
| Maria Inês Silva | Patty |
| Israel Silva | Percy |
| Luiz Carlos Nunes Machado | James |
| Geninha Sá da Rosa Borges | Tia Eva |
| Renato Phaelante | Anagnos |
| Vanda Phaelante | Annie |
FICHA TÉCNICA:
Cenário: - Valdemar de Oliveira
Figurinos: - Equipe do T.A.P.
Contra regra: - Cremilda Ebla
Maquinistas: - Aluísio de Santana, Wilson de Barros
Peteados e Perucas: - Mariinha
Caracterização: - Nita Campos Lima
Guarda roupa feminino: - Herci Lapa de Oliveira
Guarda roupa masculino: - Alfaiataria Sarubbi
Móveis, Utensílios e Adereços: - Antiquário
Loja 88, Pátio de S. Pedro
Luz e som: - Reinaldo de Oliveira
Eletricista: - Antônio Gomes
"Houve na existência de minha mestra - Annie Sullivan - um período
que me envergonho de lembrar. Depois da felicidade experimentada graças
às várias operações que lhe permitiram ler, seria
extremamente desejável que ela tivesse encontrado uma criança
capaz de corresponder melhor às suas simpatias. Eu, desgraçadamente,
não possuía nenhum dos laços 'naturais' como a humanidade.
Ignorava a doçura de uma infância iluminada por semblantes sorridentes
e musicada por vozes amigas. Nem concebia a obediência, nem apreciava
a amabilidade. Lembro-me de mim mesma, nesse período, como uma menina
gorducha, forte, turbulenta e não tendo medo de nada. Essa menina recusava,
igualmente, deixar-se conduzir. Ela retirava a comida com as mãos,
de seu prato e do prado dos outros. Anniel Sullivan não admitia tais
maneira. E o resultado foi um verdadeiro combate, durante o qual toda a família
se retirou da sala. A menina se comporta como um demônio, dando pontapés,
soltando gritos, beliscando a professora e procurando derrubá-la da
cadeira. Annie conseguiu, contudo, obrigá-la a servir-se de uma colher,
sem meter os dedos no prato.A menina rebelde atirou o guardanapo no chão.
Ao cabo de uma hora de esforços, Annie conseguiu fazer a aluna apanhá-lo
e dobrá-lo. A menina, certa manhã, se recusou a sentar-se para
aprender as palavras que não tinham nenhum sentido para ela, e virou
a mesa, com um pontapé. Annie levantou a mesa e insistiu em continuar
a lição mas o punho da menina, veloz como um raio, atinge-lhe
o rosto e lhe quebra dois dente. Jamais uma jovem, a serviço de um
nobre ideal, enfrentou condições mais difíceis e mais
dramáticas.
Annie atingiu minha consciência como a palavra "água".
Isso aconteceu perto de um poço. Eu tinha o jarro nas mãos.
Annie bombeava água para dentro desse jarro. E quando a água
transbordou, molhando a mão que o segurava, Annie soletrou a palavra
água em minha outra mão. Compreendi subitamente a significação
dessa palavra e meu espírito começou a deitar pequenas faíscas.
Experimentando a primeira alegria de minha vida, depois da doença que
me lançara no silêncio e nas trevas, apoderei-me avidamente da
mão de Annie, sempre estendida, para lhe perguntar o nome de todos
os objetos em que tocava. Assim se multiplicaram os clarões do conhecimento.
O meu coração se aqueceu e surgiu um afeto imenso pela mestra.
Foram dois seres diferentes, dois seres deslumbrados, os que voltaram do poço.
Tais momentos de êxtase enchem mais uma vida do que toda a eternidade
de trevas.
A mão criadora de minha mestra animou a terra, o ar e a água.
O fantasma que eu era desapareceu numa vida plena de sentido: mamãe
e papai, minha irmãzinha Mildred, as crianças negras que tinham
suportado meus maus modos durante anos tentando me divertir e não tinham
cessado de quer-me bem. Essa onda de felicidade, na sociedade humana reencontrada,
constituiu o verdadeiro milagre desses primeiros dias.
O dia mais importante de todo a minha vida foi, pois, o da chegada de minha
professora Anne Sullivan. Fico profundamente emocionada quando penso no contraste
imensurável das duas vidas que se juntaram. Belos dias como esses,
fazem o coração bater ao compasso de uma música que nenhum
silêncio poderá destruir.. É maravilhoso ter ouvidos e
olhos na alma. Isso completa a glória de viver."
Aos amigos que visitam essa página e que possuam a sensibilidade
do "navegar" no imenso templo que existe abrigando a inteligência
humana, e que queiram conviver por alguns minutos com a emoção,
leiam o que escreveu a própria
Helen Keller sobre a sua vida.
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