






Na peça anterior
"A afilhada de Nossa Senhora da Conceição", que faz
com "A incelança" um único espetáculo, são
de autoria de Luiz Marinho. Na primeira a história de um casamento.
Nessa agora ele nos trás um velório. Cria situação
hilariantes durante o enterro de um homem que parece ter morrido de epilepsia.
Durante o velório se descobre que o pobre não era lá
todo aquele poço de virtude que a família pregava. Tinha uma
amante que dele se engravidara. Razão mais do que suficiente para participar
da partilha. Um relógio e uma rês. Não é preciso
imaginar o que ocorreu durante o velório. Até polícia
foi preciso para acalmar a situação. E nos "finalmente"
o "morto" se levanta. Todos fogem menos D. Yayá, costureira
da mortalha, que resolve a parada dando cabo definitivo do salafrário,
enforcando-o com um aperto em seu pescoço. Muitas "incelenças"
são cantadas e, mais uma vez Luiz Marinho conduz suas peças
pelo difícil caminhos da comicidade. Lembremos o que disse: "Procuro
fugir da temática da seca, fome, miséria, sede, apresentando
a face alegre do matuto. Mesmo quando trato de uma tragédia, busco
o seu lado cômico. Um velório, por exemplo, só é
dramático para a família do finado. A partir dos momentos em
que as virtudes do morto são exageradamente exaltadas, comentados os
detalhes dos últimos contatos, das últimas palavras, a coisa
passa a ficar cômica, e disso e de outras situações tiro
proveito e exploro nas minhas peças." O cronista Medeiros Cavalcanti
exaltando a obra de Luiz Marinho chega a afirmar no Jornal do Commercio: "Em
outro país menos subdesenvolvido intelectualmente, bastaria essa ato
para colocar o Autor numa antologia. E dar-lhe dinheiro." E tinha razão.
ELENCO:
|
Diná
de Oliveira |
D
Sinhá |
|
Netinha
Guedes Pereira |
D.
Guiomar |
|
Carmem
Lúcia Montenegro |
Miranda |
|
Vicentina
Freitas do Amaral |
D.
Yayá |
|
Rubens
Reis |
1º
Filho |
|
Antônio
Dal Bianco |
2º
Filho |
|
Fernando
Antônio Pessoa |
3º
Homem e penitente |
|
Holmes
Wanderley do Rego Barros |
3º
Filho |
|
Manoel
Soares |
1º
Homem |
|
Fernando
Antônio Fonseca Santos |
2º
Homem |
|
Hermógenes
Araújo |
4º
Homem e penitente |
|
Dulcinéa
de Oliveira |
Rosemira |
|
Rogério
Costa |
Senhor
de engenho |
|
Norma
Almeida |
Perpétua |
|
Eneida
Marina Cariri |
1º
Moça |
|
Vanda
Phaelante |
2º
Moça |
|
Severino
Ramos |
Homem
A e penitente |
|
Vinícius
Rodrigues |
Homem
B |
|
Reinaldo
de Oliveira |
Soldado |
|
José
Rocha Santos |
Quirino |
|
Idalto
Vidal |
Bêbado |
|
Joaquim
Melo Neto |
Convidado |
|
Regina
Vilaça |
Convidado |
|
Solange
Spencer |
Convidado |
|
Tarcísio
Regueira Costa Xavier |
Convidado |
|
Socorro
Leite |
Convidado |
FICHA TÉCNICA
Contra regra:
Cremilda Ebla
Maquinista: Aluísio Pereira de Santana, Wilson de Barros
Figurinos: Netinha Guedes Pereira
Caracterização: Nita Campos Lima
Penteados: Mariinha
Coordenadora de Costuras: Diná de Oliveira
Eletricista: Antônio Gomes
As peças "A
afilhada de N. S. da Conceição" e
"A incelença" foram apresentada em um único espetáculo.
Algumas críticas:
"Não me foi uma surpresa; foi um cair de queixos. "A
incelença" é uma excelência de peça. Talvez
deva até exagerar: é uma ora prima de raridade de obras "one
act play" no Brasil. Em outro pais menos subdesenvolvido intelectualmente,
bastaria essa ato para colocar o Autor numa antologia. E dar-lhe dinheiro.
MEDEIROS CAVALCANTI
"O maior e mais impressionante espetáculo que vi nesses últimos
anos"
RODOLFO ARENA
"Ainda não
vi coisa mais linda no Brasil. Estou humilhado e orgulhoso. Se eu pudesse,
mandaria fazerem a volta ao mundo, com a mensagem de arte e dignidade que
vocês correga. Muito abriogado.
GUILHERME DE FIGUEIREDO
"O Teatro brasileiro
nasceu esta noite, neste Teatro, com essa peça!"
AGOSTINHO OLAVO
"Estou completamente frustrado perante Luiz Marinho. Ia escrever uma
peça...depois de"Incelença"...desisti"
JOSÉ CONDE
"Luiz Marinho confirma
com a " A Incelença" que é um dos maiores autores
não só do nordeste, mas do Brasil"
PASCOAL CARLOS MAGNO
"A Incelença",
significa farsa de Luiz Marinho, que daria celebridade universal a qualquer
autor que a lançasse na Europa"
LUIZA BARRETO LEITE