






ELENCO:
| Vicentina Freitas do Amaral | Felícia |
| José Maria Marques | Mocotó |
| Adhelmar de Oliveira | Sr. Boullingrin |
| Diná de Oliveira | Sra. Boullingrin |
FICHA TÉCNICA
Cenário: Janice Cantinho Lôbo de Oliveira
Figurinos: Janice Cantinho Lôbo de Oliveira
Iluminação: Reinaldo de Oliveira
Maquinista: Aluísio Santana
Eletricista: Aníbal Mota
Produção:
Teatro de Amadores de Pernambuco
Nota: As três peças foram levadas
em um único espetáculo.
Registre-se o fato
de que, em sendo um espetáculo cômico, a censura foi livre,
numa demonstração, da linha e da seriedade como o TAP norteia
os seus espetáculos. A verdade é que, quase todas as peças,
onde se divulga ser um espetáculo cômico, a censura sempre
taxa 18 anos, pois a pornografia domina e a sujeira toma conta da peça.
E o impressionante é que esses amantes da sujeira e do palavrão
se julgam fazendo teatro.
CRÍTICAS
E COMENTÁRIOS
Valdemar de Oliveira em seu "A propósito" de 4 de outubro
de 1957 procurando dar uma visão do espetáculo com as 3 peças
assim se manifesta:
" Couteline, francês, estará presente com "OS BOULLINGRIN"
em tradução de Silveira Sampaio, a quem telegrafamos, solicitando
autorização. A peça nos foi "acordada" por
Flamínio Bollini, que chegou a pô-la em ensaios. Voltou à
gaveta, de onde agora sai para exprimir, no novo espetáculo do TAP,
o humanismo de um dos mais representativos autores do Teatro Cômico
contemporâneo na França." Quatro dias depois, em novo
"A propósito" continua: "Pela primeira vez o Teatro
de Amadores de Pernambuco leva à cena um programa de peças
em 1 ato, exclusivamente cômicas (...) O programa se encerra com "OS
BOULLANGRI" de Courteline, que substitui, à altura hora, "29
graus à sombra" de Labiche. Esta teria, bem viva, a malícia
francesa, com o costumeiro triângulo amoroso bem posto; aquela, porém,
tem maior dose de comicidade, beirando o gênero que aqui poderíamos
chamar "maluco". Haverá quem a classifique de "Chanchada",
mas, sem saber o que vem a ser isso e, sobretudo, sem se lembrar que Courteline
ocupou e de vez enquanto ocupa, ainda, o cartaz de Comédia Française.
Somente isso. O novo espetáculo do Teatro de Amadores pretende, fazer
rir, embora sem transigências com a seriedade artística que,
mesmo na encenação de obras cômicas, deve presidir a
toda a honesta realização teatral."
Medeiros Cavalcanti,
experiente cronista da cidade do Recife, em 12 de outubro de 1957 escreve:
"São perigosas as afirmações do confrade
Adeth Leite, sempre tão exato em suas crítica, quando escreveu
ontem: "Hoje em dia precisamos de teatro sério. Teatro onde
o ator realmente represente". Que quis ele dizer com isso ? Está
claríssimo. Negou que se possa representar na comédia. (...)
Tentemos porem aprofundar-nos no pensamento de Adthe. Quis ele dizer, talvez,
que há comédias sérias, isto é, consistentes,
e há comédias onde nada se salva e, segundo suas palavras,
"as situações cômicas são as mais inverossímeis
possíveis". Bonito ! Peguemos "OS BOULLINGRIN". Há
algumas verossimilhanças nessa comédia maluca de Courteline
? Não, não há. Então não presta. "O
teatro é a imitação da vida" dizem. Eu não
creio nessa balela. Se assim fora, peças como a de Courteline não
seriam teatro; e muito menos as fantasiosas obras o Teatro Infantil. (...)
Tremo apenas ao pensar que o espetáculo do TAP, ora em cartaz, possa
ser menosprezado, considerado "Teatro de menos" ou mesmo audaciosamente,
classificado de "chanchada", como ouvi "confrade" e
espectadores sussurrarem nos bastidores: O TAP aderiu à "chanchada"
.,.. O TAP está fazendo as suas chachadazinhas. Nada disso amigos.
(...) é um espetáculo de "non sense" e humor incríveis
sem falarmos na extrema comicidade de "O CASMURRO", no final paradoxal
de "A ETERNA ANEDOTA", e nos demais interpretes, que tudo andou
às maravilhas. Representar em comédia é muito difícil
e é Teatro. E se querem um conselho urgente, aqui está ele:
Vão aplaudir o TAP, porque o espetáculo, na realidade, merece
ser visto duas vezes."
Sobre o mesmo assunto Valdemar de Oliveira tece algumas considerações: "... o Teatro de Amadores de Pernambuco, tem, em seu verdadeiro valor , o Teatro para rir, julgando-o, como gênero, tão legítimo como outro qualquer. Não chega ao ponto de considera-lo, como dizem certos artistas que outra coisa não sabem fazer, como o mais difícil, mas, ninguém contesta que a comédia também impõe estudo e reflexão, isto é, a mesma seriedade que se emprega em levantar um drama ou uma tragédia. Uma peça cômica pode ser uma obra prima do Teatro - e o repertório universal está cheio delas, muitas assinadas por Goldoni, por Marivaux, por Aristófanes, por Molière e, contemporaneamente por Feydeau, por Labiche, por Courteline. Outro endereço não levam originais modernos de Kesselring, de Roussin, de Ionesco, de Aucerod , alguns ainda considerados como subliteratura teatral por certos críticos, esquecidos de que assim eram considerados, no seu tempo, um Feydeau ou um Labiche, hoje tidos como "clássicos" e presentes ao repertório da Comédia Française, de Jeam Louis Barret, etc. Essas considerações, feitas recentemente por Paulo Autran, em entrevista à imprensa carioca, vêm a calhar, no momento em que o TAP anuncia a estréia, para hoje, de um programa de três peças cômicas de 1 aato, cada uma...de que maneira o ator aborda a comédia, sob o ponto de vista de interpretação? Paulo Autran responde: " Evidentemente com a mesma seriedade artística com que aborda o drama e a tragédia. O ator deve estudar o seu papel em qualquer gênero de peça com o mesmo interesse e amor, buscando no personagem, tal como foi concebido pelo autor. Os recursos que vai usar para vivê-los. A comédia moderna em geral exige uma absoluta sinceridade d interpretação, que só é conseguida através de estudos e ensaios freqüentes e de uma total entrega do autor do texto". Não se iluda, pois, quem for aos próximos espetáculos do TAP: aparentemente fáceis, reclamam, dos interpretes, muito trabalho e muita dedicação, no sentido de atingirem o seu objetivo. Fazer rir, em teatro, não é mais difícil do que fazer...chorar. É tão difícil quanto. Afinal de contas, a qualidade artística de um espetáculo independe do gênero da peça. A farsa, tanto quanto o drama, pode definir a grandeza do Teatro. Tudo depende, isto sim, do escrúpulo e da honestidade com que for montada e interpretada, a chanchada é, precisamente a falta desse escrúpulo e dessa honestidade".W
Sobre a responsabilidade da crítica e das constantes insinuações, que circulam, nos sentimentos e nas cabeças dos leitores MEDEIROS CAVALCANTI, faz algumas interessantes observações, observações essas, que se enquadram a muitos e muitos, companheiros que, como ele, falam e escrevem sobre assuntos diversos para um público, que é dono de imprevisíveis e desconcertantes conclusões.
"A medida que
o tempo passa, temos a impressão de que é muito mais agradável
registrarmos apenas os acontecimentos teatrais, que empreendermos a sua
crítica, por mais sincera que seja esta. O fato é que, talvez
por analogia com outros comentários perdidos no espaço e no
tempo. A grosso do público não crê na sinceridade da
crítica. Compreende-se que, no caso do Teatro de Amadores de Pernambuco
seja a atenção muito maior, dada a sua importância no
cenário artístico de Pernambuco, e mesmo do país. Se
pomos reparo em alguns de seus espetáculos, alguns exultam (Isso
! Meta o pau !...) como se nós tivéssemos feroz inimigos lá
dentro; se gostamos do que vimos e começamos a elogiar o TAP, aparecem
logo as vozes discordantes (Entrou na panelinha, hein?) ou vice-versa: -
Agora você está sendo honesto; ou então, para o primeiro
caso, na inversa: - Já está de novo brigando com o TAP, não
é ?Entramos na paulinha agora. Paciência. Melancolicamente,
vamos dizendo: gostamos também da terceira peça das três
Comédias, que o teatro de Amadores de Pernambuco levou tão
fulminantemente no Santa Isabel."
![]() |
|
Adhelmar,
Zé Maria e Diná
|