






A direção
de Ziembinski "vale como certeza de um espetáculo consciencioso,
de alto nível artístico e apuradamente ensaiado" era o
que os jornais alardeavam antes da estréia do Teatro de Amadores de
Pernambuco com a última peça a receber a Direção
do maior ensaiador brasileiro naquela época. Trazia o TAP um autor
desconhecido do público, embora de reconhecimento internacional. "O
texto de Priestley apresenta, dentro de suas preocupações sobre
a relatividade do tempo, uma ação que se desdobra a partir de
um simples gesto: abrindo-se uma caixa de música, como se de Pendora
se tratasse, as personagens explodem recalques e confissões, colocando-se
em fase da 'verdade', ela mesma, "a esquina perigosa". E depois
de devassar-lhe os mistérios e as exibir pelo seu avesso, Priestley,
com ironia, as devolve ao 'natural', compondo-se e as cobrindo com hipocrisia.
E o enredo volta ao início, no epílogo da peça"
assim procura Antônio Cadengue em poucas linhas descrever "Esquina
Perigosa".
E Andrade Lima Filho complementa: "Os personagens se mostram novamente
tranqüilos, sorridentes, normais. E até honestos. A pequena e
ingênua Betty já não precisará confessar que o
neurótico Gordon, seu marido, não lhe revelará amor e
que por isso se entregará a Stanton. Gordon, por sua vez, pode deixar
bem escondida a verdade de suas sórdidas relações homossexuais
com o falecido Martin. Este continuará tido como um sujeito que se
suicidara por haver cometido um roubo, embora tenha sido assassinado por Olga,
quando tentava despi-la para as suas aberrações sexuais. Stanton,
o verdadeiro ladrão, continuará impune. Frida e Roberto permanecerão
representando um 'casal feliz', apesar das inclinações platônicas
de Roberto por Betty e dos amores frustrados de Frida por Martin."
ELENCO:
| Margarida Cardoso | Miss Morgan |
| Bebé Fernandes Salazar | Betty |
| Diná de Oliveira | Frida |
| Carminha Carvalho | Olga |
| Adhelmar de Oliveira | Roberto |
| José Maria Marques* | Gordon |
| Otávio da Rosa Borges | Stanton |
| * Estreando no Teatro de Amadores de Pernambuco | |
FICHA
TÉCNICA:
Contra regra: Francisco Miranda
Maquinista: João Alves e José Barros
Eletricista: Aníbal Mota
Cenários: Ziensbinski
Produção : Teatro de Amadores de Pernambuco
Críticas e comentários (do Recife) :
"...Não se
percebe um movimento, uma atitude dúbia, de indecisão, pois
as 'deixas' dão entrada as 'falas' no devido tempo, com precisão
cronométrica, o que justifica o bom aproveitamento dos ensaios. É
admirável como, cada qual travestido de seu papel completamente diferente,
se locomova com tanta espontaneidade, a tempo, como se fosse profissional
da arte"
Otávio Cavalcanti
"O prodígio
de equilíbrio da interpretação - nenhum intérprete
se podemos dizer melhor do que o outro - e igual prodígio de harmonia
entre palavras e ação. Entre o 'espírito' e o 'Decor'.
Não se trata aqui de sopesar valores intrínsecos da peça,
mas, de surpreender, em sua devida medida, o funcionamento de uma determinada
máquina sem desajuste qualquer de suas peças. É isso
o que foi "Esquina Perigosa", pelo Teatro de Amadores de Pernambuco".
Valdemar de Oliveira.
Críticas e comentários (do Sul) :
"A maior
qualidade do espetáculo de "Esquina Perigosa" residiu no
equilíbrio e na homogeneidade dos intérpretes."
Miroel Silveira ( Folha da Manhã - São Paulo)
"Esquina perigos" já foi encenada em S. Paulo. Os Amadores
de Pernambuco têm outro traquejo, outro desembaraço cênico,
outra capacidade de exteriorização dramática.!
Décio de Almeida Prado ( Estado de São Paulo)
"Indiscutivelmente, um belo espetáculo, uma demonstração
notável de capacidade, de disciplina artística, de espírito
de equipe. Compara-se ao que de bem fazem os bons profissionais."
Renato Vieira de Melo ( O jornal, do Rio de Janeiro)
"As dificuldades de "Esquina Perigos" são vencidas com
uma naturalidade impressionante. Teatro é aquela simplicidade de gente
e de voz"
Pascoal Carlos Magno ( Correio da Manhã - Rio de Janeiro)
"Da primeira a última cena, o TAP brindou a platéias com
uma atuação esplêndida, dando-nos um Teatro verdadeiramente
maiúsculo."
Agnelo Macedo ( Jornal do Comércio - Rio de Janeiro)
"A belíssima homogeneidade do elenco do TAP pode ser comprovada
com o espetáculo de "Esquina Perigosa". É inútil
citar nomes. Tudo correu sem falhas."
Ethos Abramo (Folha da Tarde - São Paulo )
"Com "Esquina Perigosa", os pernambucanos estão a cavalo
no Teatro Nacional".
Edson Nequete ( Correio do Povo - Porto Alegre.)
Nota: Esta peça reinaugurou o Teatro do Derbi, da Polícia Militar de Pernambuco, depois de passar por grandes reformas no comando, na época, do Coronel Osvaldo Passos Viriato de Medeiros.
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José
Maria, Otávio, Adhelmar, Diná e Carminha
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Diná,
Carminha, Adhelmar e José Maria
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A
esquina perigosa - a caixa
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Geninha,
Carminha e Otávio
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