






A terceira
peça de um espetáculo que o TAP presenteia ao seu grande público.
As outras duas foram: "A gota d´água de Henri Bordeaux e
"Interior" de Maurice Maeterlinck. Essa peça "apresenta
um marido donjuanesco, M. Chavingny, que recusa uma bolsa para moedas com
que sua esposa, Matilde, o presenteia; esta confidencia seu desapontamento
a uma amiga, Madame de Lèry, que resolve auxiliá-la: num jogo
amoroso, finge conquistar M. Chavigny, induzindo-o a aceitar a carteira, como
se se tratasse de um presente seu. Quando este concorda em trocar a antiga
carteira pela nova, é informado da verdade. Percebe ele, então,
a loucura que cometera em trair a mulher por seus inúmeros caprichos"como
nos descreve Antônio Cadengue, em seu trabalho sobre o TAP.
Elenco:
| Geninha Sá | Matilde |
| Gilberto de Oliveira* | Mordomo |
| Valdemar de Oliveira | Chavigny |
| Diná de Oliveira | Senhora Léry |
| * Estreantes no Teatro de Amadores de Pernambuco | |
Ficha Técnica:
Cenário: Mário Nunes
Contra regra: Francisco Miranda
Maquinista: João Alves
Eletricista: Aníbal Mota
Auxiliar de eletricista: Aluísio Pereira de Santana
Alguns trechos de Críticas e Comentários:
"O TEATRO DE AMADORES ofereceu, ontem, no " Santa
Isabel" a público numeroso, espetáculo de inteligência
destinado às platéias que buscam o conteúdo provocador
das elevadas e duradouras emoções em lugar dos limites simplesmente
diversionais ou - descendo à verdadeira expressão - grandemente
corruptoras , isso muito - e infelizmente - na preferência da maioria
dos espectadores. Constituiu a sua apresentação de ontem,
sob as credenciais de três valorosos nomes literários, acontecimento
artístico de sublinhado mérito. Foram representadas "CAPRICHO",
"INTERIOR", e "GOTA D´ÁGUA",
peças em um ato, de autoria, respectivamente de Alfred Musset,
Maurice Maeterlinck e Henry Bordeaux. Teve, assim, o público recifense
elogiável espetáculo , na sua maioria por notáveis
poetas. Audacioso empreendimento , este, do Teatro de Amadores. A poesia,
o romantismo, o sentimento de quase nada ou mesmo de coisa alguma valem
no instante que passa. O momento é de ventura e não da glória
dos tempos. Agora, ninguém morre na "aurora da vida"
de tísica e de idealismo. prosáico - dizem. Hodiernamente,
a vida está prolongada. Morre-se de indigestão e de burrice
. É golpe - afirmam. Deixaram de existir o Amor e a Dor, essa geminada
tortura inspiradora.
Do espetáculo de ontem, dou a minha preferência à
enternecedora CAPRICHO, de Musset - o meigo autor de ON NE BADINE PÁS
AVEC L´AMOUR, onde o famoso poeta francês deposita muito de
seu espírito e da sua paixão por Sand - a mulher genial
que o vergastou de amarguras, no seu amor voraz.
A "A GOTA D´ÁGUA", de Bordeaux, é uma comédia
contendo figura de concepção desenvolvida sob tema que aborda
a vida conjugal quando mal sentida, bastando-lhe, muitas vezes, para a
dissolução um simples mal entendido. Leve, dialogada com
alguma fluência agrada e acaricia o espírito. Desempenharam-na,
satisfatoriamente, a senhora Diná Rosa Borges de Oliveira, Senhorinha
Geninha Sá , o Senhor Walter de Oliveira e Alfredo de Oliveira.
Também o Dr. Valdemar de Oliveira tomou parte na representação
dando-nos trabalho de franca aceitação. Medido, cuidadoso
nas inflixões da voz e na mantença das atitudes.
"INTERIOR" indica, sem dúvida, quem a produziu. Nele
está Maeterlink n conduta dos conceitos, na inocência de
sua filosofia. Toda a expressão literária reside no Velho
- ótima realização do Sr. Adhelmr de Oliveira. Igualmente,
belo episódio poético aquele final - o sono indiferente
- a felicidade pelo " não saber" - da criança.
Desconfio, porem, que a maior parte da platéia não recebeu
em cheio a viva emoção que se contem na obra de Maeterlink.
O Teatro de Amadores deu condigna montagem às peças representadas
no seu delicado espetáculo de ontem".
LUIZ TEIXEIRA, no Jornal do Commercio.
"O Teatro de Amadores começou bem a sua a temporada
deste ano, com um programa original: a encenação de três
grandes peças em um ato. Além de oferecer um espetáculo
que fugiu ao modelo clássico - montagem de peças que têm
três atos - o conjunto pernambucano introduziu mais duas inovações:
ilustração musical antes de se abrir o pano para as representações
e a retirada da "caixa do ponto". A cena ficou livre daquela
caixa, que já se tornou bastante conhecida, ganhou veracidade em
perspectiva, fugindo no convencional dando mesmo uma sensação
agradável de evolução, que não é outro
o papel desse grupo de amadores.
HERMILO BORBA FILHO
A peça "Capricho" foi encenada
no dia 29 de outubro de 1949, no Teatro Carlos Gomes na cidade de Natal,
sob os auspícios da Sociedade de Cultura Musical do Rio Grande
do Norte com o Reinaldo de Oliveira no papel do Mordomo.
Os demais papeis com os mesmos intérpretes. Na primeira parte do
espetáculo alunas do Curso Valdemar de Almeida homenagearam Chopin
com um recital .
Seguiram-se representações idênticas nos
dias 30, 31 e 1 de novembro 1949.

