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Hélio Tavares |
Gustavo |
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Emilton Cavalcanti* |
Wu |
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Hermilo Borba Filho |
Henrique |
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Vicentina Freitas do Amaral* |
Ama |
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Valdemar de Oliveira |
Jorge |
| Denise de Albuquerque |
Margarida |
| Adhelmar de Oliveira | Li Tai Ching |
| Maria de Lourdes de Oliveira | Lady Stuttfild |
| Emilinha Sá | Silvia |
| Homens do Povo | Bandido |
| *Estreantes no Teatro de Amadores de Pernambuco | |
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Registre-se a estréia de Vicentina Freitas do Amaral que veio a
se tornar uma das mais importantes estrelas do Teatro de Amadores em memoráveis
papeis.
FICHA TÉCNICA:
Cenários: Mário Nunes
Ponto: Abelardo Cavalcanti ( Coleguinha )
Contra regra: Francisco Miranda
Maquinista: José Barros
Eletricista: Aníbal Mota
Pertences de cena: Baltazar da Câmara
Entidade beneficiada: Maternidade do Hospital Pedro II.
Criticas e comentários:
Jornal do Commercio no dia 7 de abril de 1943 publica:
"Através da tumultuosa história de amor duma mestiça em permanentes vacilações
sentimentais por fora dos clamores do seu sangue irrefreável e da mescla tempestuosa
dos seus instintos, a peça expõe, desenhada com precisão de minúcias, a figura
de Margarida - inundada de inquietação e de tortura, na fatalidade de seu
drama racial. Resolver, no particular da interpretação, essa personagem, é
a maior dificuldade que a obra de Somerset Maugham estabelece. De parte daquela
- mesmo autorizada profissional que se dispuser à enorme responsabilidade
- torna-se necessário exuberante força de expressão para impregnar a figura
de verdade, transportando os choques contínuos entre as suas emoções para
uma fase que os revela sem a "explicação" dos esgares ridículos. Assumindo
essa obrigação, a senhorinha Denise Albuquerque não sacrificou o sentido da
personagem. Amadora - ainda receando os irrisórios convencionalismos que pretendem
colocar entre o lar e o palco a separação dos preconceitos, mas que, em lugar
disso, aprofunda mais e mais o abismo da incultura - deixou de empregar a
medida do justo calor, quando da exaltação de apaixonada. Na exteriorização
do amor sentimento - não ululação possessória da carne - conduziu-se, porem,
com propriedade. Valeu por instante de beleza artística a cena da sua escuta
à confirmação do amor ressurgido em Jorge - até mesmo pela composição plástica
do par. Eloqüentes, também, os seus silêncios, traduzindo as indecisões do
seu sangue - que se lhe refletiam com amargura, no coração e na alma de mestiça.
Apesar de ser em derredor de Margarida que se localiza a máxima importância
interpretativa de "Oriente e Ocidente", não deve passar sem destacado registro
a atuação de Vicentina Freitas do Amaral. Foi tão pronunciada a persuasão
de sua mímica, que sugeriu legitimidade. E que exatidão nos seus sorrisos
típicos - onde pairava o incompreensível do espírito chinês Os seus olhares
desvendavam resoluções que as palavras não diziam. Li-Tai-Cheng - a alma asiática
rugindo no subterrâneo incêndio do seu ódio contra a proclamada superioridade
do branco, que a " situa nas metralhadoras" , com ofensa e desafio à milenária
civilização "erigida sob o mérito da sabedoria" - viveu-o o Sr. Adhelmar de
Oliveira com tanta exatidão que se afigurava a sua quase ilógica despersonalização
no físico e nos sentimentos da personagem criada. Margaria, Ama e Li-Tai-Cheng
encontraram seus intérpretes".
LUIZ TEIXEIRA
Ainda no Jornal do Commercio do dia 23 de abril de 1943
"O Teatro de Amadores não é um núcleo de rapazes cabotinos e moças aliteradas,
todos mais ou menos risíveis na sua petulância de arrivistas, no seu pernosticismo
grânfino, na sua provinciana febre de aparecer e dar na vista, em detrimento
da arte e do bom senso. Trata-se, inegavelmente do legítimo pugilo de idealistas,
gente que leva para o palco uma emoção de arte séria e desinteressada, uma
intenção nobre de servir ao teatro pelo que este encerra de alto e construtivo
no terreno da sensibilidade e da beleza.
AUSTRO COSTA (Poeta)
"A peça"Oriente e Ocidente" foi interpretada com um êxito raro. O choque entre
suas culturas, entre duas civilizações - oriental e a ocidental - encontrou
na peça e nos artistas pernambucanos a mais alta e mais real expressão. Não
só os artistas, como os cenários, excederam todas as expectativa... Pernambuco
não é só trabalho, esforço de organização, riqueza e ordem. É também cultura
e espírito. Há inteligência. Há idealismo. ..As nossas elites não fogem ao
seu destino. Não se deixam abater pelo materialismo, pela depressão, pelos
sentidos e por tudo que é utilitário e inferior na vida. As nossas elites
têm asas. Procuram as alturas. Fogem do chão. O Teatro de Amadores, por exemplo,
é uma afirmação de que as elites não desapareceram e que as coisas do espírito
ainda enchem a vida de beleza, de renúncia, de exaltação e verdade".
AGAMENON MAGALHÂES

