






A peça se desenrola num mundo imaginário, onde os personagens são todos mortos, sem se aperceberem disso, navegando em pleno "Alto mar", a bordo de um transatlântico. Para onde vão ou de onde vieram não vem ao caso. Ali "navega" o drama envolvendo um casal, muito jovem arrependido de um suicídio, contracenam com um botiqueiro, uma ricaça orgulhosa, um pastor, uma mãe, um juiz e um milionário morto em desastre de avião . A peça põe em cena personagens irreais que estão ancorados às realidades da vida. "É interessante e desconcertante".
Elenco:
| Alderico Costa | Scrubby |
| Emilinha Sá * | Ana |
| Valdemar de Oliveira | Jorge |
| Alfredo de Oliveira* | Tom Prior |
| Diná de Oliveira | Clivender Banks |
| José Carlos Cavalcanti Borges | Duke |
| Eunice Catunda* | Midget |
| Valter de Oliveira | Lingley |
| Ferreyra dos Santos | Thomson |
| * Estreantes no Teatro de Amadores de Pernambuco | |
Ocorreram algumas
substituições:
| Eunice Catunda | Maria do Carmo Rigueira Costa |
| Ferreyra dos Santos | Dr.
Coelho de Almeida e Filgueira Filho |
Cenários: Confeccionado pelo maquinista José de Barros.
Apliques: do cenógrafo Álvaro Amorim.
Contra regra: Francisco Miranda
Entidade beneficiada: Casa Tomé Gibson Casa do Jornalista, por
iniciativa do AIP (Associação de Imprensa de Pernambuco)
Alguns
trechos de crítica e pronunciamentos:
" Somos dos que tem
acompanhado a fulgente trajetória do Teatro de Amadores com sincera
e grande admiração, não sendo menores os nossos aplausos ao que de realmente
valioso significa o aludido núcleo teatral no vasto, deserto e melancólico
panorama da Arte cênica brasileira, infelizmente reduzida e abastardada,
quando ainda generosamente, a simples motivo diversional, isso por força
da ambição que a maioria dos responsáveis pela manutenção da sua intrínseca
fisionomia concentra nos fascinantes egocêntricos proventos materiais.
Agora, temos nova oportunidade para enaltecer o Teatro de Amadores.
Deu-nos ensejo de assistir, ante-ontem a representação de uma peça do
repertório universal, destinada às platéias de vanguarda. Sem o concurso
decisivo, desses amadores que dignificam, sob qualquer aspecto, a arte
cênica brasileira, não teríamos, estamos certos, experimentado as emoções
que à nossa sensibilidade ofereceu ALTO MAR - profundas emoções que tivemos
graças ao valor intectual da peça, o cuidado existente na sua montagem
e, também ou principalmente à interpretação magnífica que lhe deram os
componentes do Teatro de Amadores... No desenvolvimento cênico
de ALTO MAR todos os figurantes concorreram para o seu notável êxito...A
interpretação - por nós entusiasticamente aplaudida - da peça de Sutton
Vane denunciou o esforço e a proficiência de quem, dando-lhe acertado
roteiro, dirigiu o corpo cênico do Teatro de Amadores".
LUIZ TEIXEIRA
" Mais um espetáculo do Teatro de Amadores, com a peça ALTO
MAR, do teatro Inglês, finamente traduzida por Joaquim Antônio Albano...
Como das vezes anteriores, o espetáculo correspondeu à expectativa da
platéia, dando cada amador - Alderico Costa, Emilinha Sá, Valdemar de
Oliveira, Alfredo de Oliveira, Cavalcanti Borges, Eunice Catunda, Walter
de Oliveira, Ferreyra Santos - conta do seu recado. No intervalo do 2º
para o 3º ato, os Jornalistas fizeram uma manifestação aos "amadores"
falando o Sr. Senelva de Vasconcelos e agradecendo o Sr. Valdemar de Oliveira.
MARIO MELO, no Jornal do Commercio.
" Em poucas palavras , ALTO MAR, desperta geral agrado pelas alternativas
do cômico e dramático que encerra. As cenas desenrolam-se num buffet a
bordo de um navio imaginário. ..Peça muito bem montada e interpretada,
ao nosso ver, o maior sucesso do Teatro de Amadores. Todos os seus interpretes
desincumbiram-se a contendo, sabendo sentir e viver com segurança absoluta,
os seus papeis..." ALTO MAR é uma peça que deve ser assistida por todos
aqueles que pontificam a doutrina codificada por Allan Kardeck".
GERALDO DOS SANTOS MELO, na Revista Espírita do Brasil
" Grande, nobilíssima peça, absolutamente original "diferente" , uma imposição
do Teatro de Amadores que, de outro modo, teria perdido a sua significação
e mais não valeria existir. Não poderia deixar de chocar o seu público,
dividindo-o como o dividiu, em dois partidos: os que se sentiram entusiasmados
por ela, apontando-a como o melhor trabalho teatral já apresentado no
Recife e os que não a compreenderam, rendidos, todavia à sua potência
dramática. Os outros, os que não " gostaram do gênero", irmanam-se àqueles
que, por falta de hábito ou por índole, não se dão ao trabalho de pensar.
E ALTO MAR, possui, em grau máximo, as qualidade da obra literária que
obriga, convencido ou não, à reflexão. Uma coisa ALTO MAR conseguiu e
eu, que a escolhi entre tantas, sinto-me satisfeito, provocou o debate
fecundo, criou e esquentou o ambiente de respeito ao bom teatro. Em suma:
não passou indiferente: levantou discussões balizadas pelos dois extremos
que caracterizam as exaltações do nosso público: "porcaria" e "maravilha"
. O que não aplicaram a ALTO MAR foi esse adjetivozinho assexuada, anódino,
insignificante; " Boazinha".... Pode ser que o Teatro de Amadores,
na composição do seu repertório, falseie, alguma vez. Mas, não será por
lhe haver faltado o ânimo de realizar, em nossa terra, algo de durável
e sólido, como expressão da grande arte teatral. E foi isto o que pretendeu
e conseguiu, coma sanção do público mis inteligente, com a peça extraordinariamente
bela e profunda de Sutton Vane".
VALDEMAR DE OLIVEIRA, no Jornal do Commercio.
REMONTADA EM 1954
Direção: Graça Melo
Data: 24 de Novembro de 1954
Cenário: Graça Melo
ELENCO:
Valdemar de Oliveira
Reinaldo de Oliveira*
Sebastião Vasconcelos*
Janice Cantnho Lôbo*
Alfredo de Oliveira
Walter de Oliveira
Ceci Cantinho Lôbo
Otávio da Rosa Borges*
Vicentina Freitas do Amaral*
* Os atores não tomaram parte na primeira
representação.