






Tudo
começou aqui, com Dr. Knock,
no início do ano de 1941.
Nasceu como um departamento
autônomo do Grupo Gente Nossa, entidade criada pelo extraordinário Samuel
Campelo e que congregava todos os artistas profissionais do Recife.
Na década de 30 nada se fazia, em matéria de Teatro, no Nordeste, que não
estivesse ligado ao grupo.
O nível, a qualidade, os textos, a dignidade cênica, nada disso, entretanto.
agradava Valdemar de Oliveira.
Era o seu diretor geral, e assumira a direção do Grupo e do Teatro Santa Isabel,
atendendo ao apelo do Interventor Agamenon Magalhães, e do pedido, em carta
a ele dirigida, pelo Prefeito Novais Filho, no dia seguinte a morte de Samuel.
Mas não era esse o seu pensamento. Seu mundo era outro.
Seus horizontes não se estreitavam. Sua visão teatral diferenciava em tudo
que o grupo fazia e pensava fazer. Trazia em sua bagagem, sete operetas, que
percorreram o Brasil com a Companhia de Vicente Celestino. Trazia a experiência
de inúmeras peças de sua autoria que eram representadas, em muitas cidades
do Brasil, lançando, em uma delas, Eva Todor no Teatro declamado. Trazia a
direção de vários espetáculos, de grande sucesso, na vida artística do Recife.
Em "Noite de estrelas", que maravilhou a cidade, reuniu a alta sociedade,
em memorável espetáculo.
Completando cria o Teatro Infantil de Pernambuco, no fim da década de 30 -
também como um departamento autônomo do Grupo Gente Nossa - que sacudiu a
sensibilidade do público do Recife. Esse mundo visionário e sonhador o acalentava,
antes mesmo de Dr. Knock. E não fazia mistério disso. Na sua trincheira de
trabalho, em defesa da cultura em nosso Estado, no Jornal do Commercio assim
se expressou: "O Teatro de Cultura será a próxima ofensiva, nos meios artísticos
do Recife. Haverá muitos inimigos, mas, há muita munição e muito entusiasmo
e conseqüentemente, muita probabilidade de vitória". Quando foi convidado
pelo Dr. Otávio de Freitas, para organizar as festividades do centenário da
Sociedade de Medicina de Pernambuco, sentiu, naquele momento, a realidade
se aproximar do seu sonho.
Deve ter pensado, com posteriormente Don Helder pensou e afirmou: "Quando
se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando sonhamos juntos é o começo da realidade".
E partiu, reunindo seus companheiros médicos e conseguiu somar aos seus sonhos
e desejos, os desejos e sonhos dos amigos. Realizou, socialmente e culturalmente,
algo que o Recife, não acreditaria ser possível realizar. O Teatro Cultura
a que se referira em nota antes de Dr. Knock estava acontecendo com o nome
de Teatro de Amadores. Um "teatro que possa ascender a essas alturas sem se
ver preso às necessidades de manutenção de elencos de profissionais, antes
constituídos de elementos sociais de reconhecido valor artístico, capazes
de traduzir obras de renome universal senão com a proficiência de veteranos
do palco pelo menos com a habilidade e o potencial de virtudes cênicas que
se pode encontrar nas chamadas vocações artísticas".
Assim nasceu o Teatro de Amadores de Pernambuco.
ELENCO ORIGINAL: (Ordem alfabética)
| Dr. Agenor Bonfim Professor* | Bernardo |
| Dr. Coelho de Almeida* | Dr. Papaína |
| Dr. Filgueira Filho* | Mousquet |
| Dr. José Carlos Cavalcanti Borges* | Pregão e 2º rústico |
| Dr. Leduar de Assis Rocha* | Cipião |
| Dr. Valdemar de Oliveira* | Dr. Knock |
| Dr. Valter de Oliveira* | Chauffeur e 1º rústico |
| Sra. Cremilda Pandolfi* | Enfermeira |
| Sra. Diná de Oliveira* | Madame Remy |
| Sra. Ivone Cavalcanti Borges* | Senhora de preto |
| Sra. Jacy Bonfim* | Senhora de roxo |
| Sra. Ladyclair de Oliveira* | Madame Papaine |
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Estréia no Teatro de Amadores de Pernambuco (Fundadores)
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Ação: 1930 - Ville de St. Maurice - França
Cenários: Álvaro Amorim e Mário Nunes (1º ato)
Entidade beneficiada: Sociedade de Medicina de Pernambuco
Valdemar de Oliveira considerava "Dr.Knock" uma obra teatral mestra. Assim
se referiu em seu "A propósito" : "Excelentemente escrita, o Dr. Knock, constitui
um dos maiores sucessos teatrais do mundo, mantendo-se, meses seguidos, nos
cartazes de Paris e justamente considerada uma produção modelar do ponto de
vista técnico". E procede em seu "A propósito" : "A peça "Dr. Knock " é o
choque de duas mentalidades antagônicas - a do velho médico do interior, que
durante trinta anos modorra numa vila perdida de Midi, e a de um jovem profissional
que lhe compra a clínica modesta e logo triunfa, incutindo na população o
temor da doença e a noção de saúde, fazendo-a compreender que a vida tem um
sentido - um sentido médico". Valdemar de Oliveira (Em 11 de março de 1941)
CRÍTICAS:
"O Santa Isabel vibrou, no sábado último com a representação de "Dr. Knock,
ou O triunfo da Medicina. Encarregaram-se do desempenho dos papeis, quase
todos difíceis, médicos e senhoras de nossa alta sociedade O teatro estava
regurgitando. Esperava-se uma representaçãozinha gaguejada, falha, demorada,
sem movimento, isso porque todos os intérpretes pisavam o palco pela primeira
vez. O fato, porem, é que este espetáculo surpreendeu e agradou, pelo aprumo,
desembaraço e brilho com que se conduziram aqueles, que mais pareciam velhos
e bons artistas do que simples estreante. Não queremos salientar nomes porque
a verdade é que cada um deu cabal desempenho ao papel que lhe foi distribuído.
Profissionais não o fariam melhor. "
CARLOS PEREIRA DA COSTA
"Os papeis foram bem distribuídos, cabendo o Dr. Knock ao Dr. Valdemar de
Oliveira e o do Dr. Papaína ao Dr. Coelho de Almeida. São os de maior responsabilidade,
principalmente o primeiro em torno do qual discorreu toda a ação da peça.
O Dr. Valdemar der Oliveira revelou-se um perfeito conhecedor da arte cênica
não desmentido, portanto, as suas conhecidas tendências artísticas. O estreante
saiu-se vitorioso. O Dr. Coelho de Almeida fez um centro como não fazem muitos
artistas de cartaz, com entusiasmo e acerto. Deu-nos um bom professor , o
Dr. Agenor Bonfim e o Dr. Filgueira Filho esteve bem no Mousquet. Os Drs.
Valter de Oliveira e José Carlos Cavalcanti Borges fizeram a contento o Chauffeur
e o Pregão. Coube ao Dr. Leduar de Assis Rocha o Cipião, papel de pouca chance.
O naipe feminino completou o esplendor do espetáculo. Não há nome a destacar.
Todas as ilustres damas da nossa sociedade que interpretaram os personagens
da famosa comédia de Jules Romains deram, com sua distinção e a sua inteligência
o brilho a tão "sui generis" representação" .
JORNAL PEQUENO de 15 de abril de 1941.
COMENTÁRIOS
"O Teatro de Amadores vem conseguindo um sucesso muito grande e dia a dia
verificamos quanto talento artístico possue a nossa melhor sociedade. Nenhuma
outra cidade se avantajará ao Recife, nestas grandes manifestações de interesse
e bom gosto no cultivo de beleza e de arte. Fico orgulhoso, como pernambucano
e prefeito desta capital, vendo que a minha gente ama o belo e sente alegria
em esforçar-se e defender todos os triunfos para as diferentes expansões de
pura espiritualidade".
PREFEITO NOVAIS FILHO.
"A personalidade humana é muito rica. Rica de inteligência e de atitudes.
Tem-se ordinariamente a impressão de que os homens são os mesmos, que as mulheres
são as mesmas. Os homens na sua profissão e as mulheres nos seus misteres
domésticos. No teatro, na música, na pintura, na arte, enfim, é que os homens
e as mulheres se revelam. É que a personalidade humana nos maravilha, então,
com a riqueza dos seus atributos, com a delicadeza e a perfeição das maneiras
e dos temperamentos de cada um. Esse Teatro de Amadores, criado, dirigido
e interpretado por Valdemar de Oliveira, que é médico e professor, e mais
por outros médicos, clínicos e especialistas, homens de ciência e homens de
laboratório, é realmente algo de extraordinário, de maravilhoso e original,
na cultura brasileira. Esses médicos não interpretam sós, o que seria insípito.
Não fazem um teatro só de homens, o que não teria graça. Representam com a
colaboração das próprias mulheres e de um grupo de meninas bonitas e inteligentes,
que têm temperamento, personalidade, espírito para interpretar e sentir as
emoções mais profundas. O Teatro de Amadores é uma revelação. Revelação de
arte. Revelação de cultura e de temperamentos privilegiados ocultos e desconhecidos,
talvez oprimidos por outras profissões e outras necessidades, mas, certamente,
eleitos para interpretar e sentir as grandes belezas da vida".
AGAMENON MAGALHÃES
Em comemoração aos 50 anos de vida do Teatro de Amadores de Pernambuco
foi remontada e levada à cena no Teatro Valdemar de Oliveira com o seguinte
elenco:
| Denyse Reis | Dama de Preto |
| Dulcinéa de Oliveira | Madme Remy |
| Dyerson Leal | Pregão |
| Everaldo Rodrigues | Jean |
| Geninha da Rosa Borges | Dama de roxo |
| Geraldo Lima Rocha | Sr. Monsquet |
| Ivaldo Cunha Filho | 1º Rufião |
| Normando Roberto | 2º Rufião |
| Reinaldo de Oliveira | Dr. Papaíne |
| Ricardo Vouthier | Prof. Bertolt |
| Rogerio Costa | Dr. Knock |
| Rubens Reis | Scipion |
| Vera Rosado | Mariette |
| Vicentina F. do Amaral | Mme. Papaine |
Direção - Reinaldo de Oliveira
Cenários - José Almeida (Zezinho)
Maquilagem - Estefania Gondin
Penteados - Mariinha Ferreira
Contra regra - Célia Nascimento
Maquinistas - Wilson Barros
Costureiros - Santa e Severino Monteiro
Som - Armando Ferreira
Luz - Gesiel Lacerda
Pesquisas fonográficas - Renato Phaelante
Efeitos Especiais - Fernando de Oliveira
Assessoria de Produção - Rogério Costa





