O velho
Teatro Almare foi totalmente arrasado mas, só recentemente o espaço
foi aproveitado. O Governo Nilo Coelho ali ergueu a nova Biblioteca Pública
do Estado. Àquela época porem, o Secretário da Educação.
Aderbal Jurema, obteve do Governador General Cordeiro de Farias, razoável
compensação pela nossa retirada: uma pequena verba e o prédio,
então abandonado, da antiga escola Padre João Ribeiro, na Encruzilhada,
esquina com Castro Alves. Ali foi levantado o Edifício TAP, de que
possuímos, hoje, três lojas do andar térreo. E algo nos
sobrou para, com outras reservas, comprar a casa 412, da
Discurso
de Valdemar de Oliveira no dia da Inauguração do "Nosso
Teatro"
NA GUERRA DO TAP, O NOSSO TEATRO FOI A BATALHA MAIOR E A MAIOR VITÓRIA
A luta pela construção
do NOSSO TEATRO começou quando Aldemar da Costa Carvalho doou ao Teatro
de Amadores de Pernambuco, o Teatro Almare, no Parque 13 de maio, financiando
a sua reconstrução. Muito dinheiro foi ali aplicado e tudo caminhava
para breve inauguração quando, de volta da segunda excursão
ao Rio de Janeiro, em 1957, viu, o TAP, que diante do terreno j´se erguia
um grande cartaz: o Governo Estadual iria ali levantar o auditório
do Instituto de Educação.
SOCIC, de qualquer ponto a acústica e a visibilidade são perfeitas.
O balcão se tornou melhor para apreciação de espetáculos
de ballet. O palco nada tem a invejar a outros do Recife, seja em boca de
cena, seja em fundo ou em altura. Seu urdimento alcança 16 metros,
permitindo a movimentação ampla de telões e cortinas.
O tablado pe construído em madeira frejó (frei Jó ),
importada diretamente da Amazonas. É material ideal para palcos, visto
não deixar perfurações de pregos. As coxias, bastantes
amplas , são de sucupira. Abaixo do palco, um porão recolhe
volumoso material cênico. O fundo de cena, pintado de azul celeste,
é utilizado como um verdadeiro ciclorama. Dois pianos de cauda - um
pertencente a Sociedade de Cultura Musical, outro ao Conservatório
de Música, servem às necessidades de espetáculos pianísticos,
enquanto no lçocal de orquestra um outro piano, de
Praça Osvaldo Cruz, com o seu terreno,área em forma de "L",
com outra fachada a dar sobre rua planejada. O projeto era construir uma casa
de espetáculos que permitisse, ao TAP,
manter continuidade de ação, obrigado como se via, constantemente,
a levantar equipamento dos teatros oficiais, em fase da chegada de novos ocupantes
- isso quando peças em cartaz se achavam em ascensão, com agrado
crescente de público. O ideal, para um conjunto como o TAP, seria ter
o seu teatro próprio, porque nenhum empreendimento teatral logra atingir
plenamente seus objetivos, com a segurança e a tranqüilidade necessária
à boa execução dos seus planos culturais, se não
conta com sua casa, tal acontece com o Teatro Brasileiro de Comédia,
com o Teatro Maria Della Costa, com o Teatro Dulcina e tantos outros, pelo Brasil
afora.
O espaço de que depúnhamos era restrito. Alimentamos, entretanto,
a esperança de poder conseguir um ou dois metros dos terrenos contíguos.
Nada foi conseguido, nem de um lado , nem do outro, nem nos fundos. Tivemos
de aproveitar ao máximo o espaço disponível, conseguindo
uma casa de espetáculos de que o Recife se pode orgulhar. A platéia
possui 400 poltronas estofadas, mas , tem lugar, em seu corredor central, para
mais 34 localidades. Provida de ar refrigerado
armário,
se presta aos espetáculos musicados, rodeado de 12 estantes de ferro
galvanizado. Uma guarnição completa de veludo "bordeau"
- velário, bambolina régia, reguladores, etc - compõe
a boca de cena. Todo o palco conta com uma dúzia de lanternas (para
iluminação dos fundos) e com cerca de 60 refletores projetores,
sendo 26 colocados em lugares estratégicos da platéia e os restantes
no palco em varas contíguas às gambiarras. Numerosos tangões
completam o serviço de iluminação elétrica de
cena, todo ele de natureza eletrônica. Também há um completo
aparelhamento de sonorização com gravadores, microfones, alto
falantes de irrepreensível funcionamento.
Em plano contíguo ao do palco, iniciando-se por um andar térreo
onde se encontram as "contra-regras do dia", aparelhagem sanitária
e sala de mercenária, encontram-se os camarins - 4 grandes, para 8
ou 10 pessoas, se necessário e 2 menores, distribuídos em dois
andares, cada agrupo deles, contando com quatro sanitários e banheiros,
providos de aquecedores elétricos.
No andar superior, situam-se a contra regra, o arquivo e o guarda-roupa do
TAP, onde há cerca de 1.000 peças de indumentária, (vestidos,
chapéus, cartolas, casacas, fraques, coletes, luvas, bolsas, bengalas,etc)
assim como vestes características das grandes montagens da época
do TAP, como "Macbeth", "A casta Suzana", "Uma pedra
no sapato", "A verdade de cada um", "Onde canta o sabia"
e tantas outras.
O conjunto térreo e os três andares do conjunto citado, dão
para uma rua que será aberta, ainda em 1972, pela Prefeitura, a rua
Adhelmar de Oliveira, que se continuará, para além da avenida
Conde da Boa Vista, com a rua das Ninfas.
O terço anterior do edifício do NOSSA TEATRO é ocupado
por gabinetes sanitários para cavaleiros e senhoras, pelo saguão,
bastante amplo, pelo bar, pela bilheteria e pela escada que o leva, rumo ao
balcão, ao pavimento superior , onde ainda se encontra um salão,
um terraço para fumantes, a secretaria e a diretoria do Teatro.
São unânimes os louvores ao NOSSO TEATRO , por parte dos seus
ocupantes, devendo citar-se, especialmente, os testemunhos das atrizes Márcia
de Windson e Maria Della Costa, do "one-mem-show" José de
Vasconcelos, Eliana
Pittman e Paulinho da
Viola, de artistas diversos apresentados pela "Cultura Musical",
da Orquestra Armorial, de quantos, em suma têm preferido, pelas suas
excepcionais condições de conforto , o NOSSO TEATRO."
Outro documento, foi o discurso, publicado em caderno especial, de Valdemar
de Oliveira no dia da inauguração do NOSSO TEATRO e que consta
da plaqueta "Em véspera da inauguração do "NOSSO
TEATRO".
"Ao agradecer
a presença de quantos vieram abraçar-nos, nessa festa de cordialidade,
queremos dizer-lhes alguma palavras.
O NOSSO TEATRO aí está, quase terminado. É esse "quase"
que ainda nos preocupa. Teatro é um organismo complexo, dividido em
três grandes áreas, cada uma com os seus problemas específicos:
o palco (urdimento,
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Teatro Almare - 1º Construção
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maquinaria, velário, som e luz), suas dependências (contra-regra,
guarda-roupa, marcenaria, depósito) e a parte destinada ao público
(mobiliário, saguão, bar, instalações sanitárias).Tem-se,
assim, que pensar no conforto do espectador, - o condicionamento de ar, a evasão
fácil, a acústica e a visibilidade - e no conforto dos artistas
- camarins amplos, bem arejados e bem iluminados, espaço nas coxias,
trânsito fácil - tudo convergindo para o espetáculo vivido
sobre as tábuas do palco, com área que atenda às exigências
do texto, iluminação adequada, cenários que sejam a sua
justa moldura, etc.
Tudo isso e tanta coisa mais teve de ser considerada com a necessária
economia de espaço (o simples quintal de uma casa residencial) pobre
espaço comprimido entre vizinhos dos quais não conseguimos, embora
muito rogássemos, nem um palmo de terreno.
Mas, fies a divisa - para frente e para o alto - continuamos, convencidos de
que, sem um teatro nosso, impossível seria manter a continuidade necessária
a bem cumprir os nosso objetivos filantrópicos e artísticos.
Começa a luta quando Adelmar da Costa Carvalho, nos doou o Teatro Almare,
do 13 de maio, financiando sua reconstrução.
Um belo dia, Aderbal Jurema, prexisou do terreno para constgruir o Instituto
de Educação e obteve do governador , General Cordeiro de Farias,
a compensaçõ justa: uma pequena verba e o prédio, abandonado,
da antigo Escola Padre João Ribeiro, na Encruzilhada. Ali erguemos o
edifício TAP, de que possuímos, hoje, todo o andar térreo.
E algo nos sobrou para adquirirmos a casa e o terreno onde hoje se ergue o NOSSO
TEATRO - não acabado ainda, mas, perto disso - e tanto mais perto quanto
mais nos ajudarem as forças vivas de Pernambuco - industrias, comércio,
organizações bancárias, amigos do teatro, bons pernambucanos,
todos os que compreendem a importâncias de uma casa de espetáculos
que, longe de afundar-se no comercialismo vil, será centro de superiores
atividades artísticas - o teatro declamado, o teatro musicado, o ballet,
o concerto, embrião de cursos intensivos de Arte Dramática, aberto,
sem exclusivismo, a todos os que trouxerem uma mensagem cultural de real significação.
Por essa razão mesma, seu nome é
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Teatro
Almare
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Fachada
Nosso Teatro - 2º Construção
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NOSSO TEATRO, porque, feito por nós, é de todos nós, salvo
de mercadores do Templo, porque este não será um templo de mercadores.
O Teatro de Amadores de Pernambuco, para bem cumprir o seu programa, não
se fechará, aqui, com em torre de marfim, mas acompanhará o movimento
teatral do mundo, no empenho de trazer ao público do Recife obras mestras
que ainda lhe não tenham chegado, situem-se no repertório de ontem,
no de hoje ou no de amanhã. Isso só será possível
quando o NOSSO TEATRO se inaugurar, porque nenhum empreendimento teatral logra
atingir plenamente os objetivos , com a segurança e a tranqüilidade
necessária à boa execução de seus planos culturais,
se não conta com casa de espetáculo própria. Foi assim
com o Teatro Brasileiro de Comédia, com o Teatro Dulcina, com o Teatro
Maria Della Costa, com o nosso irmão de luta, o Teatro Popular do Nordeste,
com tantos outros.
Agora mesmo, fechado o Santa Isabel, para obras inadiáveis, não
foi possível ao TAP, transferir-se para o Parque e ali festejar o seu
vigésimo nono aniversário, porque todos os seus sábados
(o melhor dia da semana para o teatro) foram cedidos ao canal 6, alias grande
amigo do TAP, como todas as unidades das Emissoras e Diários Associados,
aqui e em qualquer parte do Brasil.
Sem casa de espetáculo onde se exibir, nesta fase aniversária,
fortalece-se a necessidade de conclusão de nossa obra. E o esforço
a desenvolver é
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Nosso
Teatro - Finalização da Construção
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verdadeiramente ciclópico. Poltronas novas foram encomendadas a Kastrup
- mas ainda não estão pagas.O financiamento pelo BANDEPE, do sistema
de condicionamento de ar, em breve terá de ser pago - e nós não
podemos enfrentar essa despesa. Quatrocentos metros quadrados de tacos de sucupira
estão comprados - mas,assentá-los, reclama um dinheiro que ainda
não existe. O centro eletrônico de iluminação teatral,
igual ao que acaba de ser instalado no Parque, vem por ai, mas, pagar o restante
do compromisso, é que serão elas. E o forro da platéia?
E o revestimento das paredes? E os lustres? E o velário? E o mobiliário
do salão superior? E o balcão, mais o refrigerador, do bar? E
o mármore da fachada? E a guarnição do toalete das senhoras?
E as grandes portas laterais da platéia? E o urdimento do palco, com
sua varanda? E a instalação elétrica? E o piso do saguão?
E o aparelhamento dos camarins? E o piano e
gratidão. É essa a moeda do TAP. Foi assim que desistimos do empréstimo
e nos voltamos para a generosidade e a compreensão dos nossos amigos.Eu
sei que muitos deles estão à espera, apenas de um sinal: um toque
de clarim, um raio de luz, um aceno de mão. Pois, dêem-se por avisados,
esses velhos amigos, para que possamos concluir esta obra que vai servir aos
antigos ideais do TAP: fazer bom teatro, pra o duplo fim de engrandecer a arte
dramática e beneficiar entidades filantrópicas. E, conseqüentemente,
por si e por outros que quiserem utilizar esta casa, para o fim de servir à
Cultura, sob qualquer dos seus aspectos.
Esses ideais foram os ideais que, desde o começo, animaram os amadores
do TAP, aqueles que continuaram, no Recife, o desbravamento iniciado pelo Grupo
Gente Nossa, de Samuel Campelo, muitos ainda vivos pela graça de Deus,
outras já desaparecidos e sempre lembrados - Coelho de Almeida, Agenor
Bonfim, Augusto de Almeida, Filgueira Filho, Francisco Miranda; ideais cujas
fileiras já se afastaram, colhidos pela Morte, Adhelmar de Oliveira e
Antônio Brito, Ana Regina, Rodomil Xavier e Jovelino Selva, Mário
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Mudança
de nome do Nosso Teatro para
Teatro Valdemar de Oliveira
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Fachada
do Teatro Valdemar de Oliveira
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Inauguração do Nosso Teatro
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estantes
pra orquestra? E a rotunda (ou ciclorama) para o palco?
São as perguntas que nos tiram o sono. Obtivemos, um dia, a boa vontade
do Banco Nacional do Norte, para um empréstimo de cem mil cruzeiros novos.
Mas, os empréstimos apresentam um grande inconveniente: mais dia, menos
dia, têm que ser pagos. E nós nem podemos, nem devemos, assumir
compromissos, porque ainda não temos renda certa. Desculpem os que j´nmos
deram e os que ainda nos vai dar: só podemos pagar os nossos benfeitores
com a nossa
equipe - o secretário Waldecy Pinto, a nos atender de vez em quando,
o secretário Luciano de Abreu, a abrir a rua Adhelmar de Oliveira, no
flanco do edifício, o engenheiro Pedro Paulo, a projetar a reforma do
jardim fronteiro, o secretário Jorge Pereira, amigo certo em horas incertas.
E há mais: há o prometido auxílio de Felinto Rodrigues,
diretor do Serviço Nacional de Teatro e há muitas outras promessas
fagueiras da esperança..
Queira Deus sejam todas cumpridas, porque esta obra não pertence só
ao TAP.
É do Recife, é de Pernambuco, é do Nordeste.
Queremos que todos compreendam isso: o NOSSO TEATRO é nosso, quero dizer,
de todos."
Barros e Lola Rodrigues, tão queridos em nossa memória; ideais
que, um dia, continuarão sendo obedecidos pela terceira geração,
que já aponta, disposta a fazer "teatro infantil" sobre as
tábuas desse palco.
Estamos na reta de chegada - e esse é o pior trecho para quem já
vem cansado. E entretanto, quantos agradecimentos ainda temos que fazer nesta
festa para a qual a fidalguia de Elemer Janovitz trouxe o bolo dos 29 anos e
Amadeu Perez e Antônio Botelho, a gentil oferta de suas deliciosas bebidas.
A plaquete que vai ser distribuída gravará esse e outros nomes
já agora definitivamente ligados à história heróica
do TAP. Não há, portanto, que desanimar. A melhor maneira de revigorar
forças para vencer uma longa caminhada é olhar para trás
- e ver que já se percorreu mais da metade do caminho. Valham-nos, para
percorrer o resto, a boa vontade, eu diria melhor, o entusiasmo do governador
Nilo Coelho, que não nos esquece; o interesse e a compreensão
do Prefeito Geraldo Magalhães Melo e de sua