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vitórias mais significativas. Essa era a sua vida. Um exemplo difícil de seguir. Corria o ano de 1941, ano que mudou o curso da história do Teatro no Recife, em Pernambuco e foi exemplo para o Brasil.
Fixemos agora, pela importância que julgo necessário, imprimir, neste levantamento da memória do Teatro de Amadores de Pernambuco, o elenco, onde se pode constatar muitos dos nomes que ainda hoje, contaminados pelo vírus do teatro contraído durando suas andanças pelos palcos do Teatro de Santa Isabel, continuam a atuar no cenário artístico de nossa cidade ou se tornaram parte do grande público fiel e apreciador do bom teatro.
A crônica não parou de exaltar o espetáculo: “Em Marcha Brasil é uma grande aula de civismo e brasilidade. Começa com a higiene matinal dos seus alunos e termina com a apoteônica cena, onde surgem o branco, o índio, o jesuíta, o negro, o colono, elementos da formação da nossa nacionalidade... Os painéis históricos, e as marcações de "O meu Brasil", e "Pernambuco" fizeram vibrar de entusiasmo a platéia, na sua maioria adulta. Parabéns e merecidos aplausos”. Reunir 41 crianças fazê-las representar disciplinarmente, envolver músicos, coreógrafos, pintores não deve ter sido uma tarefa fácil. Para Valdemar de Oliveira o difícil sempre foi o melhor estímulo que podia receber para atingir os seus objetivos. Obstáculos maiores,
Valdemar distribuindo brindes
Um simples convite, formulado pelo companheiro e amigo Dr. Otávio de Freitas, presidente da Sociedade de Medicina de Pernambuco, para realizar um "momento de arte", nas comemorações programadas para o centenário da sociedade, logo se transformou no maior desafio que lhe podia cair nas mãos. Era a grande oportunidade de realizar o seu sonho. Resolveu atender ao pedido do amigo e sugeriu a encenação de uma peça teatral, "O Dr. Knock" ou "O triunfo da Medicina", de Jules Romains, versando sobre médicos e que seria representada exclusivamente com médicos e senhoras de médicos. - Você está doido, Valdemar? - pulou da cadeira Dr. Otávio de Freitas. Não estava. Na mesma semana já tinha o elenco formado: Dr. Walter de Oliveira e esposa; Dr. Coelho de Almeida; Dr. José Carlos Cavalcanti Borges e esposa; Dr. Agenor Bomfim e esposa; Dr. Filgueira Filho; Dr. Leduar de Assis Rocha e esposa; Dr. José Pandolfi e esposa e o próprio Valdemar de Oliveira com sua Diná.
1941 - Dr. Knock
– “Quebrei o tabu de a mulher pisar num palco em nosso país”, orgulhava-se Valdemar. Nascia o Teatro de Amadores de Pernambuco, que lhe dominou o espírito durante toda a sua vida. Registre-se, para que se possa ter uma idéia do sucesso estrondoso na época. "Dr. Knock" subiu ao palco do Teatro Santa Isabel no dia 5 de abril de 1941, embora, oficialmente se mantenha a data de 4 de abril (Centenário da Sociedade – pois no dia 4 chuvas torrenciais, obrigaram a transferir o espetáculo para o dia seguinte). No dia 14 de Junho estreava "Primerose". Exatamente 32 dias depois, no dia 26 de julho "Uma Mulher sem importância" e no dia 11 de outubro "O processo de Mary Dugan". Outro registro que não pode deixar de ser mencionado foi o fato de a renda reverter para a Sociedade de Medicina de Pernambuco, Maternidade e Hospital Pedro II, Abrigo Cristo Redentor e Institutos dos Cegos. Tamanha repercussão em todo
Candidatos ao elenco de Terra @dorada
nordeste levou o grupo a realizar sua primeira excursão as cidades de Natal e Fortaleza, levando as 3 últimas peças para uma vitoriosa temporada, patrocinada pelos Governos de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Em cada cidade plantava a semente do teatro amador. Além dos 3 originais, montou em Fortaleza a peça “Por causa de você", em homenagem ao autor Silvano Serra, só levada naquela cidade. Tudo isso num único ano, o de 1941. Hoje, com 62 anos de vida, ininterrupta, com a montagem de 111 originais e tendo dado ao Recife um Teatro, o Teatro de Amadores de Pernambuco está nas mãos daqueles que fizeram o Teatro Infantil em Pernambuco e de todos os que abraçaram o ideal do seu fundador. Hoje, vencendo o século XX, mais de 800 atores e atrizes já viveram personagens nos palcos do TAP. A necessidade de criar novos integrantes, ligados ao bom teatro, fez com que alguns dos veteranos do TAP voltassem a vista aos meninos e meninas de nossa cidade. Terra Adorada foi atualizada, passando a ser conhecida como Terra @dorada. E a viagem, desta vez, foi pela Internet. Tudo a que o espelho do

passado me mostrava, dos passos que dele me lembrava, foram seguidos. Uma de suas facetas mais marcantes era a obstinação em realizar aquilo em que ele acreditava. Assim fiz eu. Fechei os ouvidos aos incrédulos, engoli em seco, fiz não compreender os donos da verdade, tirei o corpo aos invejosos, passei por cima das insinuações e segui os conselhos de Ricardo Mourão: “- Melhor resposta é um bom espetáculo”. E assim aconteceu. Investir nos novos é o caminho certo, Eles serão os continuadores da gigantesca obra de Valdemar de Oliveira. Os 100 anos do seu nascimento não passaram em branco. O renovar que ele sempre imprimia em suas ações foi respeitado. Sinto que cumpri minha parte. Agora é dar continuidade ao trabalho. É como digo na letra da música no final de “Terra @dorada”:

"Pernambuco tem / história pra gente contar.
Pernambuco tem / passado que é bom de lembrar.
Pernambuco tem / presente, é a hora, é a vez.
E o futuro da gente tá nas mãos de vocês".

Os meninos vibram e pulam de alegria.

                                    Fernando de Oliveira

Sonho - Mimi Falando com os portugueses
Apoteose - Está chegando ao fim
Aulas na csa de Valdemar

Elenco que participou de "Em Marcha Brasil"
Everaldo Barreto e Silva Luiz
Maria José Coutinho Lúcia
Lenira Villaça Carmem
Reinaldo de Oliveira Pedro
Ceres Trindade Josefa
Cloris Passos Mamãe
Walter Dimenstein Papai
Anita Dimenstein Professora
Carminha de A. Melo Lilita
Luiz Carlos F. Castro Jorge
Annelisie Cantinho Schar Letra "A", número "7" e Borboleta
Tânia Maruschka Letra "B" , o número Zero e Beija flor
Janice Cantinho Lôbo Letra "C', "I" , número 9 e Borboleta
Terezinha Guimarães Letra "M", número e Beija flor
Terezinha Lôbo Letra "E', número "3" e Água
Lisieux Gomes Pereira Letra "U"
Iluminata Tavares Letra "B", número 4 e Planta
Clara Tabatchnik Letra "R" , número "5", e Nuvem
Rosalinda Adler Letra "S" / número "8 "
Palmira Pereira Letra "L" e "P"
Nicéa Veloso Silva Número "1"
Lêda Villaça Número "6"
Carlos Roberto Sinal de adição
Octávio Lôbo Sinal de subtração
José Cavalcanti Sinal de Multiplicação
Valdemar Rodrigues Borges Sinal de Divisão
Fernando de Oliveira Sinal de Igualdade
Maria Lia Farias Natureza
Nair Rotman Sol
Elza Rotman Nuvem
Edissa Bancovsck Planta
Lúcia Tavares Planta
Marinetti N. Pereira Planta
Ana Maria Lôbo Beija flor
Marlene Campos Beija flor
Rivaldo Veloso Silva Pedro Alvares Cabral
Moacir Ferreira Índio
José Cavalcanti Jesuíta
Iracema Ferreira Mãe Preta
Clovis Passos Colono
José Maria Soares Escoteiro chefe.