



MILLOR FERNANDES
Millôr Fernandes
escritor, jornalista, desenhista, caricaturista e cartunista brasileiro.
Um dos mais importantes humoristas do país. Autor de comédias
para teatro, adaptou e traduziu Shakespeare e Brecht. "Lições
de um ignorante" (1963), "Trinta anos de mim mesmo" (1972),
"Que país é este?" de 1978. Tornou-se admirador
da obra de
Valdemar de Oliveira, tendo feito, na apresentação do programa,
onde sua peça seria encenada, em dia profundamente emocionante para
as artes no Recife, quando tinham decorridos apenas 35 dias do falecimento
do fundador do TAP, um artigo, onde demonstra toda esse sentimento: "
Depois de tantos anos, mas uma encenação deste trabalho, escrito
num outro tempo, num outro país, em verdade num outro mundo: o Brasil
de 1955. O que os espectadores verão, representando aqui no Teatro
Valdemar de Oliveira, palco de tantas lutas e tantas glórias, tanta
resistência contra a mil vezes declarada morte do teatro, é
uma peça que se encarna e enquadra no aspecto mais assumido do Teatro
brasileiro - a comédia de costumes. Um gênero especialmente
importante num país com parcos registros de hábitos e maneiras
de população, registro, em verdade, tão desprezados
que cada nova geração pensa, sinceramente, que nada existiu
antes dela, que ela é oriunda de um floração espontânea
e que, nada tendo herdado, conseqüentemente nada tem a legar. Espero
que esta hora-e-pouco de espetáculo possa mostrar, com a natural
tradução de tempo e espaço, como era o subúrbio
do Rio numa época em que a violência começava a crescer
mas ainda estava longe de alcançar os índices neuropatológicos
dos dias de hoje. Espero que os espectadores, vendo esta peça, sintam,
ao mesmo tempo, um pouco de nostalgia do tempo em que o nosso crime ainda
era amador e desorganizado, exatamente porque a repressão ainda era
amadora e desorganizada.
Que meu trabalho venha, afinal, pousar nas tábuas, honradas, tanto
tempo, pelo trabalho pioneiro, competente, ininterrupto e, por isso tudo,
emocionante, do Teatro de Amadores de Pernambuco - criatura de Valdemar
de Oliveira, exemplo de uma paixão profissional (perdão, amadora!)
sem paralelo - é algo que me traz , acima de qualquer outro sentimento,
uma profunda sensação de ternura".
Millôr Fernandes
Dele o Teatro de Amadores
de Pernambuco encenou "DO TAMANHO DO OUTRO", com direção
de Walter de Oliveira, no dia 23 de maio de 1977, no dia exato, em que,
em homenagem ao seu fundador, o "Nosso Teatro" (nome por ele escolhido)
passou a se chamar Teatro Valdemar de Oliveira. No noite também foi
apresentada, pelo TAP a peça de Júlio Dantas, "A CEIA
DOS CARDEAIS".

