




BERNARD SHAW
(1856-1950)
George Bernard
Shaw nasceu em Dublin em 26 de julho de 1856. Filho de uma tradicional mas
empobrecida família protestante, foi de início instruído
por um tio, mas rejeitou a educação escolar e aos 16 anos
empregou-se num escritório. Adquiriu amplo conhecimento artístico
graças à mãe, Lucinda Elizabeth Gurly Shaw, e às
freqüentes visitas à National

Gallery da Irlanda.
Em 1872, Lucinda deixou o marido e seguiu para Londres com seu professor
de música. Aos vinte anos, Shaw decidiu tornar-se escritor e juntou-se
à mãe em Londres, onde seus primeiros romances passaram despercebidos.
Seguiram-se anos de frustração, nos quais teve vida modesta,
sustentado pela mãe. Passava as tardes no Museu Britânico,
onde estudava o que não aprendera na escola e escrevia romances,
e à noite assistia a palestras e debates, freqüentes entre os
intelectuais de classe média londrinos. Seus cinco primeiros romances
foram recusados por todos os editores da cidade, assim como a maior parte
dos artigos que enviou por mais de uma década à imprensa londrina.
Nesse período, tornou-se vegetariano, socialista, orador brilhante,
polemista e iniciou suas tentativas como dramaturgo. As comédias
satíricas do irlandês Bernard Shaw tornaram seu autor conhecido
pelo espírito irreverente e inconformista. Shaw, que em 1925 recusou
o Prêmio Nobel de literatura, destacou-se também como crítico
literário, teatral e musical, defensor do socialismo, autor de panfletos,
pródigo ensaísta em assuntos políticos, econômicos
e sociais e prolífico epistológrafo.
Em 1885 conseguiu um trabalho fixo na imprensa e, durante quase uma década,
escreveu resenhas literárias, críticas de arte, principalmente
no campo do Teatro e brilhantes colunas musicais. Já famoso na Europa,
a partir de 1904, com a montagem de John Bull's Other Island (A outra ilha
de John Bull), conquistou prestígio também na Inglaterra.
Em Man and Superman (1905; Homem e super-homem), Shaw expõe a teoria
segundo a qual a humanidade é o último estágio do movimento
evolutivo da "força da vida". O protagonista, de início
avesso ao casamento, ao final cede a ele por concluir que a própria
mulher constitui poderoso instrumento dessa força evolutiva, já
que a continuidade da espécie depende de sua capacidade reprodutiva.
Major Barbara (1905) é um ataque à fabricação
e comércio de armas, assim como ao Exército de Salvação.
Sua peça mais conhecida é Pygmalion (1913; Pigmaleão),
comédia sobre o amor e os preconceitos da sociedade inglesa, que
inspirou o filme My Fair Lady (1938; Minha bela dama), o musical homônimo
(1956) e novo filme em 1964.
Durante a primeira guerra mundial, Shaw interrompeu sua produção
teatral e publicou um polêmico panfleto, "Common Sense About
the War" ("Bom senso acerca da guerra"), no qual considerava
o Reino Unido, os aliados e os alemães igualmente culpados e reivindicava
negociações de paz. A peça Heartbreak House (1920;
A casa da desilusão) focaliza a decadência espiritual da geração
responsável pela guerra. Back to Methuselah (1922; Volta a Matusalém)
é uma parábola dramática em cinco peças interligadas,
que expõem sua filosofia da evolução, desde o jardim
do Éden até o ano 31920. A canonização de Joana
D'Arc em 1920 inspirou a obra-prima Saint Joan (1923), tragédia da
inteligência independente sacrificada por reis, bispos e juízes,
que fez sucesso internacional.
Em suas últimas peças, Shaw intensificou as pesquisas com
a linguagem não-realista, simbolista e tragicômica. Por cinco
anos deixou de escrever para o teatro e dedicou-se ao preparo da edição
de suas obras escolhidas, publicada entre 1930 e 1938, e ao tratado político
"The Intelligent Woman's Guide to Socialism and Capitalism" (1928;
"O guia da mulher inteligente para o socialismo e o capitalismo").
Entre os setenta e os noventa anos de idade, escreveu e produziu ainda inúmeras
peças. Era um mestre no diálogo e no humor.
George Bernard Shaw morreu em Ayot Saint Lawrence, Hertfordshire, em 2 de
novembro de 1950.
O Teatro de Amadores
de Pernambuco encenou "PAIS E FILHOS", com tradução
de Guilherme Figueiredo, em 1949, com direção de Zbigniew
Ziembinski e "A ETERNA ANEDOTA", numa tradução de
Tristão da Cunha no ano de 1957, com direção de Valdemar
de Oliveira, ambas encenadas inicialmente no Teatro de Santa Isabel.

